Bia do Atacadão: mulher feita por IA engana a internet e usa fama para vender conteúdo adulto

Perfil hiper-realista criado com IA acumula seguidores, engaja usuários e direciona público para plataformas pagas.

Alessandra Santos
por | 09/03/2026 às 14:42

Ela se apresenta como Bianca Caixa, tem 24 anos, mora em São Paulo, trabalha no supermercado Atacadão e simplesmente não existe. Ela é parte de um fenômeno que vem crescendo nas redes sociais: o das influenciadoras criadas com inteligência artificial.

E esse tipo de personagem raramente surge sem um objetivo. Muitas dessas influenciadoras de IA são usadas para monetizar perfis, vender produtos em plataformas como o TikTok Shop ou direcionar seguidores para outros serviços pagos.

No caso de Bianca, o caminho leva a plataformas de conteúdo adulto, onde ela já ultrapassa mais de 21 mil inscritos até o momento. O primeiro grupo funciona como uma porta de entrada gratuita, mas direciona os seguidores para um segundo que é pago. Nele, são oferecidos três planos de assinatura: R$ 22,76 por 7 dias, R$ 34,72 por 30 dias e R$ 75,72 para liberação anual do conteúdo. No grupo pago, há 12 mil pessoas.

No Instagram, apesar de a conta no ter sido criada em abril de 2021, ela só passou a publicar com frequência no fim de fevereiro, há pouco mais de 10 dias. Desde então, foram feitos 13 posts. Mesmo assim, ela já ultrapassa 40 mil seguidores e alguns vídeos chegaram a 1,4 milhão de visualizações. Um padrão que levanta suspeitas e costuma aparecer em perfis ligados a golpes.

Além disso, Bianca mantém uma conta reserva, que também direciona seguidores para os mesmos links. Esse é um padrão comum em esquemas de golpe: criar perfis secundários para manter a operação ativa caso o perfil principal seja derrubado pelas plataformas.

Bia do Atacadão é convincente

No perfil, Bia posta fotos extremamente realistas, com detalhes como marcas de acne no rosto, roupas que se repetem e até o mesmo celular aparecendo no espelho.

Mas tudo é muito sugestivo, feito para levar as pessoas para a plataforma de conteúdo adulto. Ela aparece sempre com roupas curtas ou justas, na maioria das vezes exibe decotes e frequentemente responde perguntas de cunho sexual nas caixinhas do Instagram.

Nos comentários, muitos seguidores, homens em sua maioria, parecem acreditar que ela é real. Um deles chegou a perguntar em qual unidade do Atacadão ela trabalhava, dizendo que queria ir até lá para conhecê-la.

Outros deixam emojis apaixonados e mensagens como “lindíssima” ou “estou apaixonado por você”.

Não é um caso isolado

Aqui no CATAI, já mostramos casos semelhantes. Um deles foi o da “Gótica do TikTok”, que viralizou entre adolescentes fazendo dancinhas virais. Outra foi a “Sulista Vaqueira” que aparecia num ambiente simples e recebia vários comentários apaixonados de homens que não sabiam que se tratatava de uma IA. Ambas tiveram o perfil derrubado.

Com o avanço das tecnologias de geração de imagem e vídeo por inteligência artificial, casos como esse tendem a se tornar cada vez mais comuns, o que exige um olhar mais atento para perfis que, à primeira vista, parecem apenas mais um influenciador nas redes.

Compartilhe:
Notícias mais populares

O maior catálogo de ferramentas de inteligência artificial do Brasil.

Copyright © 2026 Catai. Todos os direitos reservados.