Esta cantora de soul está no top 10 de virais do Spotify e encantou Selena Gomez. Mas ela 100% feita por IA

Com milhões de ouvintes e apoio de celebridades, projeto reacende o debate sobre autenticidade na música

Alessandra Santos
por | 14/01/2026 às 15:51

Sienna Rose está com tudo. A cantora neo-soul, cujo estilo mistura a elegância do soul clássico com a vulnerabilidade do R&B contemporâneo, está na lista dos 10 artistas mais virais do mundo do Spotify, onde já soma 2,7 milhões de ouvintes mensais. Também teve uma música compartilhada para os 415 milhões de seguidores da estrela de Hollywood Selena Gomez.

Sienna Rose, porém, não existe: trata-se de um projeto criado com inteligência artificial.

Na medida em que ela galgava o sucesso, dúvidas em torno da existência da cantora começaram a surgir nas redes sociais. No Reddit, uma usuária levantou a questão após tentar encontrar informações sobre a artista e não encontrar:  “Não consegui achá-la em nenhuma rede social ou qualquer informação no Google. As fotos da capa têm meio cara de IA, na minha opinião, e alguns vocais parecem robóticos… sei lá”, escreveu.

Logo outros usuários começaram a afirmar nos comentários que Sienna Rose seria um projeto “100% criado com inteligência artificial”. Muitos deles, inclusive, demonstram um certo cansaço. “Tô p#to que estamos chegando nesse ponto. O que é real agora? A gente não pode ter NADA?”, escreveu um usuário. “Tô de saco cheio desses artistas de IA”, comentou outro.

No TikTok, dezenas de pessoas gravaram vídeos demonstrando tristeza ao perceber que Sienna era feita de IA. “Quer dizer que Sienna Rose é IA? Acabei de descobrir ela e estou obcecada. Alguém me diz que isso não é verdade”, escreveu uma usuária.

Rose nunca declarou oficialmente ser um projeto criado por inteligência artificial. Ainda assim, diversos indícios alimentam a suspeita: a voz soa automatizada e suas aparições em vídeo lembram produções geradas por IA, com movimentos limitados, aparência robótica e olhos descritos por usuários como “sem alma”.

Para o cantor e compositor paulistano Sessa, a diferença entre uma voz humana e uma criada por inteligência artificial exige escuta atenta, mas aparecem quando prestamos atenção em elementos como respiração e dicção.

Produções feitas com IA, diz o músico formado pela The New School em Nova York, tendem a soar excessivamente “certinhas”, com vozes sempre afinadas e sem o ar natural entre as frases. Ao contrário de pessoas reais, que respiram, oscilam e variam na execução, a música gerada por inteligência artificial costuma eliminar essas imperfeições, o que resulta em um som mais achatado e com menos nuance.

Música artificial, sucesso real

Além de estar entre os 10 artistas mais virais do mundo, suas músicas circulam em playlists, vídeos e redes sociais, sem que o público sequer desconfie de que ela é uma IA.

O alcance foi tão longe que até a atriz hollywoodiana Selena Gomez publicou uma foto no Instagram usando uma música da cantora. Nos stories, Sienna Rose chegou a agradecer a artista com um “I love you”.

O fenômeno não é novo. No ano passado, o CATAI noticiou um marco histórico na indústria musical: segundo o ranking Country Digital Song Sales, da Billboard, a música número 1 era “Walk My Walk”, do artista Breaking Rust, um projeto totalmente gerado por IA. Foi a primeira vez que uma canção criada por IA chegou ao topo das paradas. 

Outra criação similar foi a banda Velvet Sundown, que alcançou quase 500 mil seguidores no Spotify em menos de um mês. Apresentado como um quarteto de “alt-pop cinematográfico”, o projeto passou a ser questionado por usuários do Reddit pela falta de informações fora das plataformas e por imagens dos integrantes que aparentam ter sido geradas por IA.

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