Startup Nex-AGI afirma que o Rio 3.5 é uma fusão não creditada de modelos estrangeiros

A Prefeitura do Rio de Janeiro lançou na última sexta-feira (12) um modelo de IA que, à primeira vista, surpreendeu a comunidade de tecnologia.
Batizado de Rio 3.5, ele foi desenvolvido pela IplanRio, empresa pública de informática da capital fluminense, e chegou ao topo dos modelos abertos com resultados impressionantes.
O projeto custou cerca de R$ 500 mil e foi apresentado como uma iniciativa para ampliar a autonomia tecnológica do setor público, permitindo que pesquisadores e órgãos governamentais utilizassem IA sem depender exclusivamente de plataformas privadas.
Mas a história acabou tomando um rumo bem mais polêmico.
Dias após o lançamento, a startup chinesa Nex-AGI publicou uma denúncia afirmando que o Rio 3.5 não é um modelo original, mas sim uma combinação de aproximadamente 60% do Nex N2 Pro, desenvolvido pela própria empresa, e 40% do Qwen, família de modelos criada pela Alibaba.
Segundo a Nex-AGI, os dados indicariam uma correspondência quase exata com uma fusão entre os dois sistemas. A empresa também afirma que, ao remover uma instrução interna responsável por definir a identidade do chatbot, o modelo passa a se apresentar como “Nex” em vez de “Rio”, além de reproduzir descrições associadas ao modelo original.
Para a startup, o problema não está no uso de modelos open source, que é uma prática bem comum no setor, mas na falta de créditos e na apresentação do sistema como um desenvolvimento próprio. As evidências foram reunidas em um relatório técnico publicado no GitHub.
O caso rapidamente ganhou repercussão no X e levou a Prefeitura do Rio a se manifestar na página do projeto no Hugging Face.
A equipe confirmou que o Rio 3.5 foi desenvolvido a partir da fusão dos modelos citados pela Nex-AGI, mas deixou claro que o arquivo publicado não era o modelo final.
Segundo o comunicado, a versão correta teria passado por uma etapa adicional de treinamento e será reenviada em breve. “Pedimos desculpas pela confusão e estamos trabalhando para reenviar o modelo correto o mais breve possível”.
