Propaganda reacende o debate sobre os limites da IA na publicidade

Um comercial do McDonald’s feito com inteligência artificial viralizou na última semana — mas pelos motivos errados. A campanha feita para a divisão holandesa da empresa teve repercussão tão negativa nas redes sociais que foi retirada do ar.
O vídeo de 45 segundos, produzido pela TBWA\Neboko, gira em torno da ideia de que o Natal é a pior época do ano e consiste em várias cenas curtas, sem continuidade ou personagens fixos, que retratam o típico caos natalino como trânsito, correria, jantares queimando e familiares desagradáveis.
A repercussão foi tão ruim que o McDonald’s desativou os comentários do vídeo no YouTube em um primeiro momento e, logo depois, o removeu da plataforma.
“Sou velho o suficiente para me lembrar de quando o McDonald’s era o padrão ouro da publicidade. Este comercial é simplesmente péssimo”, escreveu um usuário em post no X (antigo Twitter), onde o vídeo foi compartilhado.
Assim que as críticas começaram, Melanie Bridge, CEO da The Sweatshop, produtora contratada pela agência para fazer o comercial, escreveu um texto, que também foi apagado, para o Little Black Book, uma comunidade global de empresas e profissionais da publicidade, em que dizia “a IA não fez esse filme, a gente fez”.
No texto, ela conta que a equipe passou sete semanas trabalhando na campanha e refinando o processo que incluía elementos reais, style-transfer customizado, correções de física, modelos em miniatura feitos do zero, painéis de ComfyUI enormes e milhares de iterações guiadas quadro a quadro.
Essa não é a primeira vez que um comercial é feito com IA generativa, mas foi talvez o que teve a pior reação do público. No ano passado, o comercial da Coca-Cola gerou debate nas redes sociais pelo mesmo motivo. Em 2025, a empresa repetiu a tentativa.
No Brasil, a Globo também entrou na tendência e lançou uma vinheta de fim de ano com cenas geradas por IA, com direito a Roberto Carlos virando enfeite de árvore de natal e Ana Maria Braga pilotando um trenó.
Em todos os casos, algo em comum: boa parte do público reagiu de maneira negativa ao uso de IA nos filmes publicitários. Para muita gente, as marcas estão correndo para usar tecnologia antes de ela entregar resultados realmente naturais, e o efeito final acaba parecendo menos inovação e mais improviso digital.